O CASTELINHO DA FAMÍLIA SCHÜTZ
Onde o passado e o futuro se encontram

Símbolo da prosperidade local do início do século transforma-se em sede de uma escola independente de estudos avançados de Inglês e Português, e um pólo de intercâmbio com o exterior.

O Castelinho em 2001O PASSADO

O prédio da Rua Galvão Costa, 85 em Santa Cruz do Sul, onde funciona o instituto de idiomas S&K, é uma mansão em estilo romântico construída por volta de 1922, mais antiga portanto que a Catedral São João Batista. A obra foi assinada pelo arquiteto Heinrich Schütz, irmão por parte de pai do proprietário da obra, Helmuth Schütz, e estava inicialmente localizada sobre uma área de 15.376 metros quadrados adquirida em julho de 1919 do casal Viggo Thompson por 7 contos de réis.

Popularmente conhecido como Castelinho, ou Mansão da Azaléias, o prédio constitui-se num patrimônio de inestimável valor histórico, representando o espírito empreendedor de uma primeira geração de brasileiros descendentes de imigrantes europeus e simbolizando o apogeu da indústria fumageira de Santa Cruz do Sul. Seus primeiros proprietários foram Helmuth Schütz e sua esposa Elsa Ganns Schütz. Helmuth era filho de Philipp Heinrich Schütz e neto de Johann Franz Schütz, ambos provenientes de Enkirch, Mosel, Alemanha, chegados ao Brasil em abril de 1858. Elsa Ganns era filha de imigrantes alemăes de Săo Leopoldo.

Helmuth Schütz em 1930Nascido a 18/02/1880 e falecido a 04/04/1965, Helmuth foi um dos fundadores da Companhia de Fumos Santa Cruz (hoje Philip Morris), havendo exercido a direção dessa empresa por 42 anos, de 1918 a 1960. A parte de seu espírito empreendedor no campo comercial e industrial, dedicou-se também a atividades de cunho social. Foi fundador da orquestra Estudiantina e do Rotary Clube de Santa Cruz do Sul, havendo dirigido também a Sociedade de Cantores Liedertafel. Helmuth Schütz destacou-se também na política tendo militado no Partido Republicano e, em 1933, fez parte do Conselho Consultivo do Município. Dois anos mais tarde foi eleito vereador. Helmuth e Elsa tiveram dois filhos: Bruno e Edmundo.

O Castelinho (prédio principal) possui cerca de 420 metros quadrados de área construída em seus dois pavimentos, e já passou por três grandes reformas. A primeira, em 1944, quando o andar térreo foi transformado em residência para a família de Edmundo Schütz, filho mais moço de Helmuth, e um prédio anexo de 165 metros quadrados em dois pavimentos foi construído no lado nordeste para abrigar uma garagem e área de serviço. Este prédio anexo veio a ser ampliado com uma segunda garagem por volta de 1957.

No início da década de 1960, durante o governo municipal do Sr. Edmundo Hoppe, os proprietários do Castelinho doaram 476 metros quadrados de terreno para o alargamento da Rua Galvão Costa e para o arredondamento da esquina desta com a Rua Gaspar Silveira Martins.

Em 1966, por força de divisão de herança, o terreno foi dividido ao meio. Simultaneamente, uma ampla reforma modernizou a infra-estrutura do prédio principal e transformou ambos os pisos em uma única residência. A partir de 1988, o Castelinho passou por várias etapas de manutenção e restauração de suas características originais, faltando hoje pouco para uma total retorno ao projeto original.

O PRESENTE E O FUTURO

A partir de 1995 o castelinho passou a abrigar o instituto de idiomas Schütz & Kanomata, ESL, cujos resultados são quase que integralmente aplicados na manutenção e preservação deste patrimônio.

Num projeto arquitetônico assinado pelo arquiteto Marcelo Bartholomay, Schütz & Kanomata iniciou em fins de 1997 uma completa reforma e ampliação do prédio anexo com o objetivo de enriquecer sua faixada e estilo relativamente pobres, aproximando-o da linguagem arquitetônica do prédio principal. A primeira etapa da obra - fundações, concretagem e telhado - foi executada pela Bule Construtora. A segunda etapa teve por objetivo reproduzir os detalhes artísticos e decorativos do prédio principal, e contou com a participação dos artesãos Lucídio Caré, Dagoberto Heineck, Edson Campos e Marcos Wartchow. As aberturas, seguindo fielmente o estilo do prédio antigo, foram executadas pelas marcenarias Braga e Sinimbú. A obra foi concluída em fins de 2001.

O novo prédio tem um total de 325 m2 e abriga parte das atividades da escola e centro de línguas, com 6 novos ambientes de convívio, sala de reuniões, recepção, arquivo, sala de espera, e uma vasta área aberta no piso superior para reuniões festivas e aulas ao ar livre. Uma rede de fibra ótica liga todas as salas, permitindo que através de computadores ligados em rede os alunos possam se comunicar com o exterior em tempo real e viva-voz. A estratégia do instituto é entrar no novo milênio como o principal pólo de intercâmbio com o exterior da região. Para isso pretende ampliar acordos de cooperação com universidades, organizações promotoras de intercâmbio cultural, e escolas de ESL em vários países de língua inglesa.

O jardim que atualmente circunda a mansão é de 7.460 m2, inclui um estacionamento para 18 veículos pavimentado com paralelepípedos de pedras grês e basalto e é cuidadosamente mantido de modo a formar um conjunto de rara beleza arquitetônica e paisagística.


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