CENTROS DE CONVÍVIO MULTICULTURAL
LIVING AND LEARNING CENTERS
Ricardo Schütz
Atualizado em 29 de novembro de 2006

... se a vida é um processo de conhecimento,
os seres vivos constroem esse conhecimento
não a partir de um atitude passiva
e sim pela interação.
Aprendem vivendo e vivem aprendendo.

(Humberto Mariotti, 2001)


O QUE É UM CENTRO DE CONVÍVIO MULTICULTURAL (CCM)?

Nosso conceito de centro de convívio multicultural (CCM) é o de associações de pessoas de diferentes nacionalidades com interesses comuns em línguas e culturas.

O centro de convívio se estrutura a partir da formação de grupos de pessoas com interesses complementares. De um lado temos aprendizes e de outro, facilitadores. Brasileiros que querem aprender inglês, por exemplo, participam de encontros informais com estrangeiros de países de língua inglesa, falantes nativos portanto, os quais, na qualidade de autênticos representantes de sua língua e sua cultura, atuam como facilitadores.

Para o estrangeiro, o centro de convívio representa uma oportunidade rara de imersão na cultura brasileira. Ele vivencia o exotismo e os atrativos da cultura brasileira num programa que inclui hospedagem, aulas de português para estrangeiros, música, samba, capoeira, participação em academias de ginástica, e atividades turístico-culturais em fins de semana.

Para o aprendiz, um CCM é a oportunidade de construir relacionamentos com representantes da cultura estrangeira, falantes nativos de suas línguas. O aprendizado da língua se dá de forma natural, fruto desse convívio em ambiente autêntico, no qual o aprendiz vivencia experiências semelhantes àquelas dos programas de intercâmbio no exterior.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Esses centros se constituem em ambientes naturais de interação social, onde aquela curiosidade pelo desconhecido e aquele magnetismo natural de opostos que se atraem, proporcionados pelo contato multicultural, é elemento chave. Grupos de conversação com participação de falantes nativos de diferentes países de língua inglesa, permitem ao aprendiz desenvolver familiaridade com a língua na sua forma oral isenta de desvios, negociar significados e desenvolver a comunicação criativa. A comparação de valores e o entendimento das diferenças culturais evitam que o aprendiz desenvolva hábitos intelectuais estereotipados. Esta aprendizagem cultural leva o aprendiz a sentir-se à vontade na presença de estrangeiros. Os participantes estrangeiros, no papel de vetores de suas línguas e culturas, se sucedem a cada ano ou semestre. Cada novo contato possibilita ao aprendiz brasileiro a prática de construção de um novo relacionamento, sedimentando aquelas ferramentas lingüísticas básicas ao convívio humano e diversificando sua familiaridade com variantes dialetais e culturais.

CCMs viabilizam a implementação, da forma mais completa possível, da teoria de Stephen Krashen sobre assimilação natural de idiomas em seu Natural Approach, bem como da teoria sócio-interacionista de Vygotsky, aplicada ao aprendizado de línguas estrangeiras.

COMO FUNCIONA NA PRÁTICA?

Esses centros ou núcleos de convívio multicultural podem ser facilmente criados em escolas de ensino fundamental e médio, bem como em cursos de línguas, faculdades de letras e empresas. Com o auxílio da Internet ou de colaboradores no exterior, faz-se a divulgação e recrutamento. Um coordenador fica responsável pela seleção e contato com os estrangeiros interessados em participar, pelo cadastramento de famílias interessadas em hospedar estrangeiros, e pela montagem de um programa de língua e cultura brasileira para atender aos interesses dos mesmos. Com o apoio de organizações de intercâmbio, obtém-se a legalização do estrangeiro em território brasileiro.

O CCM pode também ter autonomia para estabelecer contato direto com organizações estrangeiras voltadas ao intercâmbio de jovens adolescentes, podendo oferecer, para seus alunos mais destacados mas menos privilegiados, oportunidades de intercâmbio no exterior em escola de mesmo nível a preços de custo, sem as taxas de intermediação cobradas pelas agências de intercâmbio brasileiras que atuam como representantes das organizações estrangeiras.


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Schütz, Ricardo. "Centros de Convívio Multiculturais ." English Made in Brazil <http://www.sk.com.br/sk-ccm.html>. Online. 29 de novembro de 2006.
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